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domingo, 18 de dezembro de 2011

"E no frio daquela manhã de inverno


sentada no sofá, embaixo de cobertas e mergulhada em uma profunda solidão a garota olhou para fora da janela e viu que lá fora existia um mundo enorme e cheio de vida, mundo esse que não parou juntamente com ela. Ela estava ali distante de tudo, vendo as pessoas caminharem nas ruas, vendo o tempo passar, observando do nascer ao pôr do sol, mas não se dava conta de tudo o que ela estava perdendo ali, caida ao chão, embaixo de cobertas, sobrevivendo das dores que aquele amor mal resolvido, mal correspondido lhe traziam. Sobrevivia de migalhas. Ela olhava para o relógio e não via os ponteiros andarem, mas enquanto isso muito tempo se passava, e ela ia ficando cada vez mais só, mais perdida, seu coração ficava mais e mais dolorido, ela se olhava no espelho e via apenas o que restou de tanto sofrimento, ela estava feia, acabada, cabelos bagunçados, maquiagem borrada das lágrimas que derramara todas as noites, ela se levantava mas mal parecia ter forças para caminhar (...) A garota, pobre garota, estava completamente imersa numa escuridão sem fim, perdidamente confusa andando naquele labirinto sem saída, já não restava muito dela, não existia mais um coração batendo forte, sorrisos não se abriam mais nem com grande esforço feito. Ela estava apenas sobrevivendo, mesmo olhando para fora da janela e observando a quantidade de motivos que ela poderia ter para sorrir, mas nenhum motivo parecia tentador ao ponto de fazê-la levantar dali e caminhar em direção a liberdade, em direção a vida, e não a sobrevivencia. (...) Tempos se passaram e ao redor da garota já não haviam mais pessoas com quem ela pudesse contar, pois ele havia se distanciado de tudo e de todos. Não existia mais um mínimo facho de luz que pudesse trazer alguma esperança para o seu coração destroçado. Ela havia se desviado completamente do caminho da felicidade, caminho o qual ela deveria ter seguido. Ele estava completamente perdida. (...) As pessoas enchergavam a triste situação dela de fora e tentavam achar respostas pra todo aquele rebuliço, aquela confusão, aquela bagunça em que a garota se meteu, tentavam entender o que transformou aquela linda e alegre garota em toda aquela amargura e decepção. As respostas não apareciam, mas o causador disso tudo tinha ideia da sua parcela de culpa nisso tudo, por nínima que fosse, ele tinha consciência do estrago que ele fez naquele coração, naquela vida. O garoto por quem ela era apaixonada, que deveria ser um motivo para ela sorrir foi o motivo para ela chorar e estar morrendo aos poucos. Ele não tinha consciência do que toda aquela indiferença com que ele a tratava, de que todas as vezes que ela o ligava e ele não atendia, de que todas as vezes que ele diziam milhares e milhares de coisas lindas para ela mas que não eram verdadeiras... ele não tinha consciência do quanto aquelas pequenas atitudes insignificantes para ele a machucavam mais do que tudo.(...) Todos os dias ao acordar a garota se lembrava que o seu amado se encontrava distante e nem ao menos lembrava ou se importava com sua existência e isso a corrompia todos os dias. Ela passava o dia na espera de uma surpresa dele, mesmo depois de tanto tempo. Deitava na cama e pensava nele, somente nele, as lágrimas escorriam e a vontade de tê-lo aumentava mais e mais. Ela queria que o tão amado garoto saciasse todo aquele amor que ela tinha por ele. Nessa loucura de amá-lo não restaram outros sentimentos, apenas esse amor sofrido. Ela era distroçada e torturada por ele todos os dias, desde o momento que despertava, até adormecer. Ele ocupou todos os espaços da mente, do coração e do corpo da garota, ele tomou todas as suas forças, segurou o coração dela em sua mão mas deixava-o cair a todo instante. Ele não se importava, e a falta de amor, o amor não correspondido, aquele sentimento não recíproco foi dilacerando cada parte da frágil garota. (...) Não sabia-se quanto tempo ainda restava, não acreditava-se que a garota ainda suportaria tudo aquilo sozinha. Ela precisava de ajuda, de alguém que a salvasse e devolvesse seu coração, seus sorrisos, suas forças, mas esse alguém encontrava-se longe demais para fazer isso por ela."

LuizaRibeiro

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